A SETA DE CUPIDO Nova pagina 1

 

 

   A SETA DE CUPIDO

 

                    (Maria Hilda de J. Alão)

 

 

Do passado não me arrependo,

Por ter sido minha maior proeza.

Eternizar eu pretendo,

O feito de magistral beleza.

 

Surgiu de repente e sem demora,

Meu corpo tomou com eterna fome.

Rijos braços e a boca que devora,

A solidão que meu coração consome.

 

Não quero que de minha vida parta...

Quero que fique, atrevido, lascivo, mas puro.

Que sacie a minha  sede, torne-me farta.

Que me toque, que me possua no quarto escuro;

 

Que não me respeite, mas fique rendido,

Em momento sagrado, jucundo...

Que fira meu coração como Cupido,

Ficando a ardente seta bem no fundo;

 

Para que eu sinta e saiba o quanto

É doloroso expelir o feto,

Gerado com tanto afeto,

Do VERSO inseminado pelo meu pranto...

                                              

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